domingo, 25 de outubro de 2015

Star Wars: Episode III - Revenge of the Sith - 2005 - George Lucas

Neste posso confirmar que saí do cinema, tinha então 11 anos, com uma lágrima no canto do olho. 

Ao fim de 2 filmes tremendamente desapontantes, Lucas (re)aprendeu algumas das lições mais básicas da execução cinematográfica e entregou ao seu público um capítulo final superior.

Não superior no sentido de ser muito bom: apenas no sentido de ser melhor que os outros 2.

A guerra está instalada na galáxia. No meio de intrigas, batalhas e segredos, as ideologias dos Jedi são levadas ao ponto de ebulição: com Anakin (Hayden Christensen) e Obi-Wan (Ewan McGregor) bem no centro dos acontecimentos.

Desde logo a relação dos dois cavaleiros parece mais calorosa. Vemo-los a cruzar piadas e a preocuparem-se um com o outro: longe fica a picardia e queixume presentes em Attack of the Clones.



Ao contrário de McGregor (que parece estar-se completamente a borrifar), Hayden está visivelmente mais «solto»: ainda que alguns dos efeitos nefários do diálogo mais manhoso da história da Ficção-Cientifica continuem a assombrá-lo.

Anakin Skywalker: You are so... beautiful.
Padmé: It's only because I'm so in love.
Anakin Skywalker: No, it's because I'm so in love with you.
Padmé: So love has blinded you?

ISTO PODIA SER ESCRITO POR UM PUTO DO 5º ANO! Provavelmente esse foi o mindset com que o Lucas foi escrevendo o guião, mas POR AMOR DA SANTA! Mesmo depois do «Truly, deeply, love you…» este tipo de coisas ainda passa por toda a equipa de produção?

E alguém me sabe dizer porque é que a Natalie Portman está feia no filme quase todo? E porque é que R2-D2 de repente voa e acaba com dróides 3 vezes maiores do que ele? Dude, estas prequelas não fazem mesmo sentido…



O non-sense chega ao ponto do General Grievous ser, de um ponto vista criativo, a personagem mais interessante dos 3 filmes. De onde é que veio? Como é que ficou robô? Já matou Jedis? Foi assim que conseguiu os sabres de luz? Questões, questões, questões! Ainda bem que as coloco sem ninguém me «apontar»: só torna a personagem mais complexa e estimulante.

E por falar em estimulante: Revenge of the Sith apresenta-nos as mais espectaculares batalhas espaciais da história do Cinema. É impossível olhar para a cena de abertura e não ficar mesmerizado com a profundidade de campo e pela imensidão do que temos à frente.



Mas não quer isto dizer que os efeitos especiais são todos imaculados. Ainda faltavam 4 anos para James Cameron apresentar Avatar, por isso é impossível não reparar nas caras copiadas dos Clones e nas «cabeças falsas» de Palpatine (Ian McDiarmid).

A interpretação do actor escocês, que é inequivocamente a melhor da trilogia, está repleta de contradições: tão depressa está a conduzir um monólogo hipnótico, cheio de desenvolvimento e conteúdo pertinente, como a fazer caras de orgasmos.



Este tipo de «brincadeira» faz com que um filme, que logo de início promete muito, acabe por ser CONSTANTEMENTE anti climático. Um esgar, um soluço, um quase bom… O que é que o corrompe? Acima de tudo o guião.

Se fizermos uma análise às implausibilidades, tal como fizemos para Attack of the Clones, reparamos que elas ainda se alastram como um cancro por toda a película. É um campo minado, e onde quer que pisemos explodem naves espaciais.

Vem daí ANALisar as pistas!

Para além de um buraco, embaixo terás SPOILERS até aviso em contrário.

1ª PISTA - Anakin continua a não ter convicções próprias: no mesmo dia passa de pedir desculpas a Obi-Wan a concordar assassiná-lo! Pior: em menos de 10 minutos passa de indeciso a exterminador de Jedis! Ele muda toda a sua ideologia e filosofia de vida num ápice! Mata Mace Windu, sente-se culpado e o seu próximo curso de acção é assassinar miúdos!



2ª PISTA – A lógica para Palpatine se tornar Imperador é que os Jedis (os protectores da paz há mais de 1000 anos) se revoltaram contra ele para ficarem a dominar a galáxia, por isso ele tem de ser Imperador e dominar a galáxia para impedir os Jedis de dominar a galáxia. E o senado aplaude. Makes sense, right?

3ª PISTA – Como é que os Jedis tinham gravações do que se passou no escritório de Palpatine no seu próprio templo? Isso não implicaria que eles têm provas mais do que suficientes para o prender há muito tempo? E sendo assim para que é que queriam que Anakin o espiasse?

4ª PISTA – «Só um Sith lida com absolutos.» diz Obi-Wan no principio da sua batalha com Anakin. Sendo assim, isso faz de Yoda um Sith.



5ª PISTA – Ela morre de «coração partido»?! «Perdeu a vontade de viver»? Dude: ela acabou de dar à luz gémeos! A ironia de ter sido um robô a dar esta explicação super artificial é mais que muita. Lucas, das MÚLTIPLAS decisões estúpidas que tomaste, esta foi sem dúvida a mais ilógica.

FIM DE SPOILERS!

Eu não sou da Red Letter Media para ficar aqui uma hora e meia a recitar razões pelas quais este filme tem «buracos». O que eu sou é um entusiasta de Star Wars, disposto a colocar de lado esta falta de lógica em prol de momentos que resultem e me façam sentir vivo neste Universo!

Momentos de pura tensão, como quando Anakin e Padmé olham um para o outro a vários quilómetros de distância e se sente na expressão (!) de Hayden Christensen o confronto que vai dentro dele. Nada para além de duas personagens e silêncio recortado por uma música lúgubre. Não há batalhas, não há diálogo manhoso, nada... Apenas sentimentos.



E como esquecer a ascensão do vilão mais reconhecível da História do Cinema? O silêncio antes da sepultura… A primeira respiração… O funeral… São momentos lendários que ficarão para sempre subvalorizados por estarem numa conjuntura que obscurece a sua dimensão.

Mas uma coisa fica bem patente nos minutos finais de Revenge of the Sith: a vida continua. Talvez hoje tudo pareça mal, mas amanhã é um novo dia. «Os sóis» vão erguer-se novamente e uma «nova esperança» caminhará a passos largos no horizonte com esta música no fundo.



Caminhará em direcção a nós: confiante, sorridente e reluzente. Essa esperança é The Force Awakens.


Simon Says that this movie is…



domingo, 18 de outubro de 2015

Star Wars: Episode II - Attack of the Clones - 2002 - George Lucas

Deixem-me começar com uma confissão: em puto eu adorava este filme. A primeira vez que o vi foi numa mítica sessão de cinema ao ar livre no estacionamento do Modelo: já não se fazem destas, eu sei.

Mas porque é que gostava do raio do filme? Teria sido pelas infinitas cenas de acção? Teria sido a sensualidade da Natalie Portman a despoletar a minha puberdade?



Quem sabe… A verdade é que o filme parece direccionado para petizes sem grande conhecimento cinematográfico e corações ardendo por aventuras: e para esses as coisas funcionam.

Agora, para quem tem 2 dedos de testa e consegue identificar os (por favor, não retire as próximas duas palavras do contexto) MÚLTIPLOS BURACOS na história que é apresentada, vai perceber que é praticamente impossível não «tropeçar» neste capítulo da saga espacial mais famosa do mundo.



Existe um movimento separatista que pretende desmembrar a República Galáctica. Os Jedis Anakin Skywalker (Hayden Christensen) e Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor) são encarregados de proteger a Senadora Amidala (Natalie Portman), mas acabam por se envolver mais do que esperavam.

Ainda que a premissa seja menos complicada do que a de The Phantom Menace, Attack of the Clones é um tipo de besta diferente. É que para além de possuir a maior parte dos defeitos da primeira prequela (pouco desenvolvimento de personagens, diálogos forçados, demasiado recurso a CGI), são as implausibilidades do argumento que fazem desmoronar o mundo que antes era alicerçado numa História credível. O que aqui temos, como diriam os Xutos & Pontapés, é um mundo ao contrário.

Exacto: estou a citar Xutos numa crítica de Star Wars. ERA ISTO QUE QUERIAS LUCAS?! SATISFEITO?! VOU JÁ COMPRAR OS BRINQUEDOS NOVOS TAMBÉM, SEU CAPITALISTA MERCENÁRIO!




Vamos tirar o óbvio da frente: Hayden Christensen foi (bem antes de conhecer Kit Harington) o primeiro actor que considerei mau. A maior parte das emoções que explora na pele do «Escolhido» são ENORMEMENTE exageradas: parecia que alguém lhe estava a dizer para se borrifar nas subtilezas e jogar tudo cá para fora da maneira mais artificial possível. Was that you again Lucas?

Só uma opinião: ao ver Joel Edgerton (que aparece brevemente a meio do filme) e a julgar pelas suas últimas performances, não posso deixar de pensar que este teria sido uma escolha mais aceitável para desempenhar o Jedi (pronto, o Padawan, seus nerds!).

Já Portman enterrou-se num buraco TÃO GRANDE que só depois de Black Swan é que conseguiu ascender ao patamar ao qual parecia predestinada desde Léon. Robótica e monocórdica parecem ser as duas únicas facetas de Padmé Amidala. Lá para o final lança umas vibes que lembram a princesa Leia, mas é tão forçado que dói.



E por falar em forçado: o próprio realizador admitiu que este filme é principalmente sobre o romance entre os 2, então vamos lá analisá-lo um pouco, shall we?

Padmé, uma senadora sensualona, aristocrata, que já foi rainha de um planeta.
Anakin, um Jedi com ar de modelo que nasceu como escravo num planeta deserto.

Ele está constantemente a queixar-se de tudo (especialmente do seu mestre, Obi-Wan), tem um estilo de flirt puramente awkward, não há ninguém tão arrogante como ele em toda a saga (e atenção que ele tem Han Solo e Lando como competição), manda vir com Padmé em frente a não sei quantos políticos e confessa-lhe ser um assassino de crianças. Para além disto tudo, é um bacano sem convicções (vê a facilidade com que passa de zangado e triste para feliz) e que dispara as linhas de diálogo mais repletas de queijo desde o Arnold Schwarzenegger.



Hum, ladies, eu não sei quanto a vocês, mas tirando o «ar de modelo» e o queijo, acho que não há aqui nada que a pudesse atrair: aliás, a maior parte das situações em que Anakin a coloca são para lá de desconfortáveis. Guess what: não só ela aceita todas estas situações e o reconforta, como se declara «verdadeira e profundamente apaixonada» por ele… I mean, WTF?!

A única coisa que credibiliza o romance é (novamente) a estupenda banda-sonora de John Williams, cujo tema Across the Stars parece recontar a história de um amor lendário, que teve de atravessar as maiores provações para poder existir.

Neste caso foi só preciso uma lareira, campos verdinhos e uma vaca bem gorda.



Mas voltando às implausibilidades: logo nos créditos de abertura fala-se no líder dos separatistas, o «misterioso Conde Dooku». Nem 5 minutos depois está Mace Windu (Samuel L. Jackson) a dizer que ele já foi um Jedi.

Tipo… Isso não fará dele um «conhecido»? Pelo menos para os Jedis? E se ele deixou de ser um Jedi, não quererá isso dizer que ele passou para o Lado Negro? 1+1 não é igual a 2? Para o Lucas deve ser 11.

Outra das cenas que a princípio me intrigava, mas depois simplesmente chateava, foi a introdução do exército de clones. Admito que o facto de eles serem clonados de quem são é fixe, mas toda a história envolvendo a sua concepção deixa-me com a pulga atrás da orelha.



ANALisemos!

Um mestre Jedi chamado Syfo-Dias (que nunca chegamos a saber quem é ou quando morreu) encomendou um exército de centenas de milhares de clones sem os outros Mestres saberem. Para que raio é que iria precisar de um exército? E agora que os Jedis sabem da sua existência, não acham estranho ele estar pronto PRECISAMENTE na altura em que se vota para a criação de um exército da República? A marosca é mais do que óbvia e no entanto qual é a reacção do Mestre Yoda?

«Meditar nisto, eu vou!» Dude, tu és um ancião de 900 anos de batalhas, intrigas e uso da Força! Precisas de meditar para quê? Obviamente que a República está a tentar tramar-vos! Mas não, vamos mas é enviar o Obi-Wan descobrir o porquê de um Caçador de Recompensas enviar outros Caçadores de Recompensas matar a Senadora que se opõe aos Separatistas. Nisso sim, está a chave da Guerra Galáctica! Não é cá a criação misteriosa de um exército QUE VOCÊS ACABAM POR USAR! ONDE É QUE FICOU O RAIO DA MEDITAÇÃO!? 

Brr… Desculpem lá, mas isto tinha de sair! O facto é que o argumento está construído de maneira tão inconsistente que TODAS as personagens parecem uns burros monumentais!

Para quem pensa que só tenho coisas negativas a dizer sobre o filme, desengane-se! Teve, obviamente, os seus pontos fortes, nomeadamente a inclusão de Christopher Lee e o balanço concedido por McGregor à narrativa. Cada vez que cortavam de Anakin para Kenobi dava por mim a suspirar de alívio.



As cenas de acção e efeitos especiais, mais uma vez, são magníficos: quer no espaço, quer em terra, tudo é composto de forma espectacular. O ser humano que disser que não fica entretido a ver tudo isto a acontecer está a mentir ou é um vacaco. Essas são as duas únicas opções. 

Ao contrário de outros puristas, eu gostei de ver Yoda a lutar: sempre foi uma coisa que eu tinha imaginado e aqui foi-nos mostrado. Se é implausível e quebra algumas ideias geradas nos filmes originais sobre a personagem? Sim, mas isso foi feito tantas vezes nas prequelas, que esta é «só» mais uma: e por uma vez, foi gira de se ver.

Mais uma vez, o trabalho feito ao nível da construção visual dos diferentes planetas é espantoso: desta vez, ao aventurarmo-nos ainda mais pela galáxia distante, ficamos com a ideia de que este universo tem ainda muito por explorar.



Mas lá está um (dos) problema(s) que surgiu em The Phantom Menace: ao centrarem a acção em interiores repletos de green-screen, deixam de explorar tão eficazmente a cultura e a imensidão de cada planeta. Existe em Attack of the Clones alguma sequência tão memorável como a batalha no gelo de Hoth ou as meditações nos pântanos de Dagobah? Acho que a resposta é facilmente alcançável…

A melhor maneira que posso descrever tudo isto é a seguinte: enquanto a trilogia original parece um RPG ao estilo de Skyrim, onde a exploração e imersão é encorajada e recompensada, as prequelas parecem um jogo de plataformas unidimensional. Agora é isto, depois é aquilo, passas-te de nível. Repete.

As prequelas existem por existir, e Attack of the Clones é o exemplo mais exasperante das 3.

Simon Says that this movie is…



terça-feira, 22 de setembro de 2015

Jon Snow vs Ramsay Bolton ?! Deixem-me rir!

Para além de um Buraco, embaixo terás SPOILERS para a maior parte das temporadas de Game of Thrones. 

“Ai minha Nossa Senhora! O Jon Snow morreu?! E agora? Como é que vou conseguir sobreviver!? Esta série já não tem interesse!”

Really?

“Este Ramsay é mesmo um cabrão! Ai que horror! Não consigo olhar! Ele tem que morrer! O Jon Snow vai matá-lo!”

Really?!

Senhoras e senhores, o meu nome é Diogo Simão e estou aqui para corrigir esta afronta utilizando lógica e bom senso.

De um lado temos o menino bonito, com barba e cabelo comprido, que derreteu o coração gelado da selvagem com que todas as meninas se identificam. O actor que lhe dá vida (Kit Harington) é idolatrado por (quase) todos os espectadores da série e possui os talentos interpretativos de um cavalo com gases.



Certo: ele melhorou substancialmente a sua performance nesta última temporada, mas eu continuo a acreditar que isto só aconteceu porque ele sabia que era a última.

E independentemente do actor, a personagem do Snow é das mais clichés e menos interessantes de TODA a série. O bacano é o “filho” rejeitado de uma corte de nobres e vai combater monstros com a escumalha do reino para ganhar o respeito dos que não lha dão. E é isto… O gajo manteve-se igual a si próprio ao longo destas temporadas todas e não evidenciou o mínimo sinal de mudar: mesmo na hora da morte.



É por esta evidente falta de criatividade (quer na backstory, quer no desenvolvimento, quer no próprio actor) que me surpreende que o vacaco seja das personagens mais queridas da assistência. Aliás: a maior parte das queixas que li quando ele morreu foram algo do género “Ah bolas! Agora como é que sabemos quem é a mãe dele?”

Dude: se a cena mais intrigante sobre uma personagem é saber quem são os seus progenitores, acho que está tudo dito em relação ao quão “bem”  (repara que meti a anterior palavra em negrito, itálico e sublinhado para não haver quaisquer dúvidas sobre a ironia nela contida) ela foi desenvolvida e quão relevante ela é para a série.



E do outro lado do espectro temos Ramsay Bolton. Interpretado por Iwan Rheon, este pedaço de m*rda (como a maior parte do público lhe chama) flagela, tortura, viola, queima, esfola, castra, avacalha… E tudo com um sorriso demente na cara.



Game of Thrones, apesar das suas magias, profecias, zombisses e dragozisses, é uma série centrada nas relações interpessoais de personagens credíveis e verdadeiras. Todas têm um passado que corrobora quem são hoje, todas têm um objectivo definido e todas têm um curso de acção mais ou menos interessante.

Talvez seja eu, mais uma vez, a gravitacionar para os canalhas sádicos, mas não há UMA ÚNICA personagem mais interessante que o Ramsay. Há tantas questões por responder sobre este gajo que dava para encher (pelo menos) um livro!

Qual é a sua história? O que é que lhe fizeram para ele ser assim? Até onde vai a sua falta de humanidade? Terá mais algum sentimento para além da raiva, inveja, desejo, sarcasmo e repugnância? O que estará disposto a fazer para agradar o pai?



As múltiplas facetas que já exibiu são apenas a casca do que ainda pode estar por saborear nesta fruta e ainda assim são poucas as manifestações de satisfação cada vez que o bastardo toma conta da acção.

Está na hora de mudar isso pessoal! As personagens não valem mais ou menos porque alguém as escreveu para serem boas ou más: valem sim pela sua originalidade, profundidade e nível de interesse para o desenvolvimento da acção.


Esperava mais do público de uma série tão inteligente como esta, mas a verdade é que Game of Thrones já faz parte da cultura pop, sendo por isso natural a banalização dos aspectos mais subtis de cada uma das personagens. 

Fica aqui este incentivo ao debate. NOW FIGHT BITCHES!

sábado, 29 de agosto de 2015

Star Wars: Episode I - The Phantom Menace - 1999 - George Lucas

Tenho ideia de estar a ver The Empire Strikes Back no quarto dos meus pais. Era na SIC, num fim-de-semana à tarde. Parece mentira, não é?

Talvez esta seja a primeira memória que tenho de ver um filme.

Lembro-me da banda-sonora ser inspiradora e de ficar fascinado pela aventura repleta de “magia”. Lembro-me que “Star Wars” era a minha resposta sempre que me perguntavam em miúdo qual o meu filme “de pessoas” preferido.

Star Wars era, por default, o melhor filme alguma vez feito.



Episode I: The Phantom Menace, realizado pelo criador da trilogia original, saiu quando eu tinha 5 anos. E durante muito tempo apreciei a cassete com uma ternura que não nutria por mais nenhuma: afinal de contas era Star Wars! Tinha montes de autocolantes com as personagens e uma cabeça do C3-PO que gravava o que nós dizíamos e depois repetia. How cool was that?!

Mas havia qualquer coisa que me punha a franzir o sobrolho… Certas partes do filme deixavam-me um bocado aborrecido, outras faziam-me pensar coisas ilógicas e ainda outras que, já em miúdo, eu achava inconsequentes.

Claro que a minha maneira de o expressar era: “O que é que este gungan está a fazer mamã?” E os meus pais encolhiam os ombros… E realmente não havia outra maneira de o explicar: em Phantom Menace VÁRIAS coisas acontecem porque sim.



Mas já lá vamos.

Quando uns E.T’s que mal mexem a boca invadem um planeta pacífico, está nas mãos da sua rainha e de dois Jedis avisar a República. O que ninguém sabe é que os ET’s estão a trabalhar para Lord Sidious, que planeia dominar a galáxia através de tratados e outras cenas maléficas. Entretanto há um puto que tem de ganhar uma corrida e… Bem é complicado.

Essa é a primeira treta em relação a Phantom Menace: um filme claramente apontado a crianças (se não o fosse o Jar-Jar não existia) tem uma premissa aborrecida p’ra caraças, apoiando-se em conversa fiada sobre burocracias e midi-chlorians. E em CGI.



O Lucas sabia perfeitamente (ou pelo menos aparentava saber) quando fez o filme original que uma história maioritariamente guiada por diálogo, sem acção a acompanhar é uma SECA COLOSSAL! Guess what: The Phantom Menace, sejas adulto ou (PRINCIPALMENTE) criança, é uma SECA COLOSSAL!

Quanto tempo do filme é passado com pessoas a falar sem que nada realmente aconteça? Dei por mim a tomar atenção ao diálogo, só para perceber quantas cenas podiam ter sido cortadas. Guess how many? Bués!

E o diálogo, quando acontece, nem sequer é interessante. Ou são tretas pseudopolíticas ou humor de sanitário.

“You were right about one thing master. The negotiations were short!” WTF?! Nem com 5 anos eu me ria disto!

Muito menos do Jar-Jar! A verdade é esta: a personagem tem a sua utilidade na história, mas era preciso fazê-la irritante, incoerente e imensamente estúpida? O gungan é a personificação do que o Lucas acha que “tem piada para os miúdos”. Guess what: NÃO TEM!



O que tem piada, para miúdos e graúdos, é o que me prendeu há quase duas décadas atrás: a música, a magia, as batalhas de sabres de luz, as personagens fixes!

E não é que, no meio do caos, todos estes elementos ainda existem?

John Williams, talvez o melhor compositor musical da história do cinema, transporta o público para uma galáxia muito distante: com novos acordes, uma nova aventura, mas o mesmo sentimento. Atrás de cada nota existe uma história a nascer: e toda a banda-sonora faz-nos percorrer uma odisseia intemporal, sem princípio nem fim.

Onde o diálogo e a acção falham, é a música que marca, indelevelmente, a nossa memória, criando uma atmosfera familiar.

Aliás, essa é outra das grandes façanhas deste filme. Cada sociedade parece nova e radiante, quase contente de estar a ser mostrada. A paleta de cores, a arquitectura, as roupas, o dialecto e até a atitude das personagens mudam conforme o planeta onde a acção é passada. Tudo isto faz com que o universo pareça vivo, que existe uma história e um propósito para o que estamos a ver. Há que dar mérito quando ele é merecido.



Por exemplo: os castings de Liam Neeson (Qui-Gon Jinn), Ewan McGregor (Obi-Wan Kenobi), Natalie Portman (Padmé) e Hugh Quarshie (Captain Panaka) foram brilhantes. Neeson, (que aceitou o papel sem sequer ter lido o guião) embora tenha uma personagem inconsequente, carrega o (pouco) peso dramático do filme aos ombros. McGregor foi a escolha ideal para substituir Alec Guiness, Portman (e Keira Knightley, que fez de sua dupla) dá um sentimento de responsabilidade incrível à jovem rainha, e Quarshie que, sem muita acção, consegue eficazmente tornar-se parte da mitologia.

E Ray Park enquanto Darth Maul: a personagem mais “cool” do filme. E porquê? Porque tem uma espada dupla, porque tornou as cenas de acção ESPETACULARES (a sério, quase que vale a pena ver o filme só por isso) e porque NÃO TEM DE DIZER MAIS QUE 3 LINHAS DE DIÁLOGO DURANTE O FILME INTEIRO!



A melhor cena do filme acontece perto do fim e só é dita uma única palavra. É possível perceber o horror e o suspense na expressão de McGregor, na linguagem corporal dos outros actores envolvidos e na banda-sonora.

Damn you Lucas! Mesmo esta poderosa cena é contaminada por toda a maluquice do acto final! Demasiadas coisas a acontecer ao mesmo tempo fazem com TODAS percam importância!

Outro exemplo: há uma grande batalha. Os intervenientes? O povo com o qual passámos menos tempo e os robôs mais inúteis da história da 7ª arte! Como é que é suposto estarmos investidos nesta luta? Não dá! Mas guess what? Também não interessa, porque o Jar-Jar está a fazer piadas! Yupiii!

E por falar em “Yupiii!”, onde raio é que foram buscar o Jake Lloyd? O puto não consegue expressar uma única emoção discernível… Aquela despedida deixa-me sempre aziado: é assim que te despedes? Nem uma lágrima nem nada? E o raio do Mace Windu? É uma personagem tão… tão… sei lá, normal? A única faceta que o permite distinguir de outras personagens é o facto de ser interpretado pelo Samuel L. Jackson.



E montes de outras coisas em que eu podia divagar. Tretas sobre a utilização excessiva de CGI (só existem 2 planos no filme inteiro que não têm recurso a imagens digitais), sobre cenas inteiras que se desenrolam sem real desenvolvimento de personagem (Pod Race), da utilização da Força só quando convém à história, enfim…

The Phantom Menace é uma salganhada de coisas boas e coisas más. Muitas delas só são boas porque acontecem no Universo pré-estabelecido de Star Wars. Pergunto-me qual seria a sua recepção crítica, caso não fizesse parte da saga…

The Phantom Menace é nostálgico para mim. Adoro-o. Detesto-o. Elogio-o. Repugno-o. Se Star Wars é uma odisseia cósmica, o seu “primeiro” capítulo é uma odisseia de contradições. E embora não o recomende, caso queiras estar preparado para a noite mais quente de dezembro (dia 17), é uma paragem obrigatória.


Simon Says that this movie is…




domingo, 2 de agosto de 2015

Crítica - The Lord of the Rings: The Return of the King - 2003 - Peter Jackson

O final. O derradeiro adeus. As lágrimas que te escorrem pela cara…

Todos os exércitos da Terra Média estão a juntar-se para combater as forças do Mal uma última vez. Frodo e Sam aproximam-se cada vez mais de Mordor: e nada os pode preparar para as provações que ainda estão para vir.

Ao contrário dos outros dois filmes da trilogia, não há uma única cena fraca durante as reverberantes 4 horas de The Return of the King. Há sim um sentimento de finalidade, de conclusão, de apogeu. Cada personagem atinge o auge do seu desenvolvimento: e nada podia ser mais gratificante.

Ao fim de todo este tempo juntos, TU és parte da Irmandade do Anel, e são os teus amigos que se tornam melhores por TI. É impossível não te sentires assim.



Toda esta luta inglória contra os males do mundo, tendo apenas os teus companheiros como porto seguro, é canalizada através da canção de Peregrin Took. Pippin foi a única personagem que chegou ao capítulo final da história com a sua inocência e convicções inalteradas. Mas confrontado com a demência com que Denethor (excelente John Noble) envia o seu único filho para a morte, é incapaz de subsistir, lançando-se num lamento que será lembrado enquanto o mundo tiver memória.



Algo recorrente nesta trilogia é o facto de que tudo o que acontece (sejam canções, batalhas, conversas, piadas…) revela/desponta desenvolvimento nas personagens. É palpável o carinho e cuidado com que foram tratadas cada uma das pessoas da NOSSA Terra-Média.

E Gollum… Gollum lembra-se de tudo: do que chorou, do que comeu, do que matou… E lembra-se de quando o Anel o encontrou. A sua história faz-nos reconhecer tudo o que a personagem foi. Faz-nos compreender. Faz-nos desconfiar. E, subliminarmente, faz-nos valorizar ainda mais a amizade entre Frodo e Sam.



Sean Astin, que já em The Two Towers tinha brilhado, raia o miraculoso nesta sua interpretação. Comédia, desespero, fúria, resignação, desejo, empatia… Não lhe valeu qualquer nomeação aos principais prémios da indústria, mas (cá para nós) também não precisava.

Também Viggo Mortensen mete a 6ª e sai disparado em direcção à eternidade. Num desempenho que podia ter sido monótono ou alicerçado na interacção com personagens secundárias mais interessantes (como em tantos filmes de fantasia acontece), Mortensen torna Aragorn no gajo mais realista, complexo e multifacetado da saga.

Bernard Hill, o magnífico rei Théoden, que através de um dos mais portentosos discursos da História da 7ª arte eleva a cavalgada dos Rohirrim ao Olimpo das cenas épicas. São arrepios na espinha e nos braços. É o sangue a correr-te mais depressa nas veias. És tu pronto a subir para cima de um cavalo e sangrar pela salvação da tua raça, da tua nação, da tua família!



E Miranda Otto…

2015 tem sido um ano em que se fala muito do crescente papel das mulheres no cinema.

The Lord of the Rings, por muitas qualidades que tenha, passou desapercebido enquanto um bom exemplo do que é “women empowerment”. Não, o protagonista não é uma mulher (se bem que às vezes aquele Elijah Wood…). Não, não é uma mulher que derrota o poderoso senhor do Mal. Mas quem é que carrega Frodo e derrota os Nazgûl quando nem Aragorn nem os Hobbits podem fazer nada? Arwen. Quem é que derrota o cabrão do Witch King of Angmar? Éowyn.

“Get away from her you bitch!” ? Nah, meus caros amigos. É em The Return of the King que está a frase de afirmação feminina mais forte e icónica da História do cinema.



E sim, “melhor da História do cinema” é um adjectivo que pode (e deve!) ser utilizado em relação a vários aspectos deste filme.

Por exemplo! Ouves 2 ou 3 acordes da banda sonora e sabes: “Estou no Shire!” ou “Estou em Rohan!” Podes mostrar 2 ou 3 imagens do filme a quem quer que seja, à tua avó ou ao teu primo Josué, e eles automaticamente reconhecem como sendo parte de The Lord of the Rings. Para mim, a que melhor encapsula TODA a saga é esta.



Num só frame tens a magia, o desespero, o desejo, a conquista, o medo e a felicidade. O plano completo faz-te voar pelos ares, mantendo Gollum focado na sua loucura imortal. Andy Serkis é simplesmente do outro mundo e não há palavras que cheguem para descrever a monumentalidade da sua performance.

E aqui, mais uma vez, rejeito o argumento de Roger Ebert de que os Hobbits são esquecidos em detrimento dos grandes senhores. A grande batalha é entre Frodo, Sam e Gollum. A batalha de Minas Tirith acaba quando Aragorn aceita o seu destino e convoca o exército mais OP (OverPowered) da Terra Média.

Se os fantasmas são parvos? Não. O que aconteceu aos fantasmas faz parte da História criada por J. R. R. Tolkien. Tivesse acontecido de maneira diferente, o mundo e a narrativa que nos é apresentada não seriam os mesmos. Acções provocam reacções: se elas são plausíveis, porquê mandar vir?

MAS VOU MANDAR VIR SIM! Porque é que haviam de tirar a Boca de Sauron da versão original!? Para além de ser uma personagem nojentamente cativante, aumenta a carga emocional dos últimos minutos de acção de maneira vulcânica (pun intended) !



É preciso dizer que a banda-sonora é maravilhosa? Que as cenas de guerra exultam um sentimento épico por cada frame? Que Ian McKellen é fenomenal? Que me sinto parte da Irmandade? Que vibro de antecipação de cada vez que vejo este filme? Que me vêm lágrimas aos olhos em TODAS as cenas finais?

Está dito.

E que fique dito também que eu sou escuteiro desde os meus 9 anos e a minha jornada está a chegar ao fim. Nada apagará os momentos que vivi com A MINHA irmandade. Ver a caminhada que fiz reflectida num filme que amo desde essa exacta idade é catártico, é bonito e é um argumento mais forte e verdadeiro do que qualquer outro que vos pudesse dar.


Simon says that The Lord of the Rings: The Return of The King is…




domingo, 28 de junho de 2015

Game of Thrones 5ª Temporada - Critica - Episódio 10 «Mother's Mercy»

Para além de um Buraco, embaixo terás spoilers.

Não é segredo nenhum que detesto o Kit Harington, e para dizer a verdade este fui eu durante a cena final da 5ª temporada de Game of Thrones.


Mas já lá vamos.

O Stannis queimou a filha e o gelo desapareceu. Eu próprio pensei que o gajo ia destruir tudo à sua passagem, mas lá está o efeito Game of Thrones: o exército bazou, a mulher suicidou-se  e a feiticeira trollou-o. O Baratheon, teimoso como tudo, vai em frente. Resultado: o Ramsay despacha-o em menos de 1 minuto. A Brienne (que esteve à espera de um sinal da Sansa A TEMPORADA INTEIRA e perdeu-o por 5 SEGUNDOS) foi lá decapitá-lo em nome do seu ex-ex-ex-ex-ex-ex protegido, Renly Baratheon. Ou será que não? Agora é só esperar um ano para saber.

A Sansa ia falecendo com uma seta da amante do Ramsay, mas o Theon voltou dos mortos e salvou-a. E para fugirem ao grandioso senhor do sadismo saltam do 10º andar. Quero ver o que é que estava lá em baixo para lhes aparar a queda… Estas duas cenas pareceram-me suuuuper precipitadas: a tensão podia ter sido muito melhor construída, mas não… Vamos a despachar que temos mil histórias para deixar água na boca de toda a gente!



A Arya despacha o tal pedófilo HARDCORE STYLE. Mas, como o Deus das Mil Caras (será possível ter um nome mais fixe que este?) não curte trafulhices no Monopolio da vida e da morte, manda a Stark para a prisão 3 turnos. Tradução: a Arya está cega. Eu não faço ideia que tipo de cego é que ela vai ser, mas POR FAVOR: que seja tipo Daredevil.

Myrcella sabe que o Jaime é o pai e gosta disso. Owww que fofo! Nem dois minutos depois falece. Ups… Melhor parte disto tudo?



O Varys reaparece e volta a fazer dupla com Tyrion. Agora que a Rainha se foi embora, parece que os manos vão ficar a tomar conta de Meereen. Ooooh boy, isto vai ser bonito. O Sor Jorah vai em busca da sua amada. O Daario Naharis (tenho sempre que ir ao Google ver como se escreve…) vai em busca da sua amada. Isto só pode ser divertido, certo? Aceitam-se apostas em qual deles morre primeiro.

A Dany está no meio do monte com um dragão labrego. Sem nada que fazer, vai passear. Por coincidência, um exército de MILHARES de dothrakis estava a passar por ali. E agora? Agora é só esperar um ano para saber o que vai acontecer.



Melhor cena do episódio (só não é da temporada por causa do Zombie King) : a expiação de Cersei. Não é segredo nenhum que (ao contrário do Jon Snow) detesto a personagem e adoro a atriz. Mas por amor da santa: aquilo foi EXCRUCIANTE de ver. B-R-I-L-H-A-N-T-E trabalho de Lena Headey. Se ela não ganhar um Emmy este ano… Ah, é verdade: o Frankenstein voltou à vida, ou seja: next season, TÃO TODOS F*****S!



E finalmente.

O Sam vai-se embora. A feiticeira chega e não diz nada. O Snow é esfaqueado até à morte. Elogiei o ator esta temporada toda, porque realmente o seu desempenho melhorou: e agora todos percebemos porquê. PORQUE ERA A SUA ÚLTIMA TEMPORADA!

Se ele volta ou não? Estou mais inclinado para o sim. Mas hey: se for para voltar, por favor, que seja só a personagem e não o ator. ESTOU FARTO E CONTENTE POR TERES MORRIDO!

VIVA O RAMSAY BOLTON! ATÉ PARA O ANO… CAMARADAS!




Valar Dohaeris.

sábado, 27 de junho de 2015

Game of Thrones 5ª Temporada - Critica - Episódio 9 «The Dance of Dragons»

Para além de um Buraco, embaixo terás spoilers.

Mais do mesmo, mas podemos realmente queixar-nos? Not me…

A Arya (a vender ostras, ameijoas e mexilhão) vê o gajo que matou o Syrio Forel (o seu antigo mestre). Ora, para quem não se lembra, este é o primeiro bacano da lista de mortes dela. E para quem acha que matar o Syrio não foi crime suficiente, no stress: o gajo vai a uma casa de pêgas, oferecem-lhe mulheres que valha-me Jesuis, e ele prefere miudinhas de 6, 7 anos… Acho que a partir daqui era óbvia a maneira como a Arya o ia despachar.



Os meninos lá da muralha deixam o Snow entrar. No big deal, à excepção daqueles 30 segundos de tensão em que achávamos todos que ninguém ia abrir o portão.

O Jaime consegue safar o Bronn de falecer e, aparentemente, o irmão do Oberyn é mais sensato. Mete a rainha das cobras no lugar e deixa o sobrinho ir casar para King’s Landing. How nice! O destaque, na minha opinião, vai para a atriz Indira Varma, que já demonstrou mais capacidades interpretativas no pouco tempo que teve nas últimas duas temporadas que muitos meninos/as que andam por aqui desde o principio.



Agora o duplo Main-Event.

O Ramsay não apareceu, mas o seu impacto fez-se sentir. Com 20 gajos despachou quaisquer hipóteses do Baratheon ganhar posse de Winterfell sem ajuda de poderes sobrenaturais. Sem comida, sem cavalaria, repleto de desertores e mortos, Stannis toma a decisão mais lógica da série: vou queimar a minha filha viva. Manda o Sor Davos embora (que oferece à menina um veado de brincar) e de seguida trata de ter uma terna conversa com a filhota sobre a possibilidade de ela ajudar. Afinal de contas ela é princesa, right? O que acho mais irónico no meio disto tudo é que o veado (símbolo dos Baratheon) é queimado com ela… Acho que isto diz tudo.

Equiparável apenas ao Red Wedding, esta é a cena mais difícil de assistir na série inteira. Vão lá cagar: a Sansa a ser violada é pior do que isto? Tenham dó…



E finalmente, “A Dança dos Dragões”. Ou do dragão, neste caso…

É por isto que Game of Thrones é das cenas mais fixes de sempre: numa semana estamos a ver as suas personagens enfiadas no Walking Dead e esta semana estamos a vê-las enfiadas em Spartacus. COM DRAGÕES!

A Dany está toda chateadinha porque não quer ninguém a lutar, o Shôr Jorah aparece e avacalha quase todos e de repente… BANG! Os bacanos mascarados do Eyes Wide Shut aparecem e começam a esfrangalhar toda a gente. Quando só restam meia dúzia e parece que vamos ter uma batalha ao género 300, aparece o Drogon e queima-os a todos. A Dany, que deve ter lido o Eragon na noite passada, monta-se nele e baza dali.



Que se lixe a razoabilidade: Game of Thrones é épico em todos os sentidos possíveis e impossíveis. Mantenho que falta uma batalha MESMO GIGANTE para tomar o trono, mas em termos de fantasia… Só LOTR é que os ultrapassa.

Escrevam o que vos digo, meninas e meninos: um dia, daqui a muitos anos, quando Game of Thrones acabar, alguém vai fazer um Super-Cut de todas as temporadas. Vai fazer uma trilogia fílmica, ou algo do género. Vai tirar todas as partes superlativas e deixar só o que interessa.

E essa versão sim: essa versão pode concorrer ao trono. Até lá…


Valar Dohaeris.