domingo, 25 de outubro de 2015

Star Wars: Episode III - Revenge of the Sith - 2005 - George Lucas

Neste posso confirmar que saí do cinema, tinha então 11 anos, com uma lágrima no canto do olho. 

Ao fim de 2 filmes tremendamente desapontantes, Lucas (re)aprendeu algumas das lições mais básicas da execução cinematográfica e entregou ao seu público um capítulo final superior.

Não superior no sentido de ser muito bom: apenas no sentido de ser melhor que os outros 2.

A guerra está instalada na galáxia. No meio de intrigas, batalhas e segredos, as ideologias dos Jedi são levadas ao ponto de ebulição: com Anakin (Hayden Christensen) e Obi-Wan (Ewan McGregor) bem no centro dos acontecimentos.

Desde logo a relação dos dois cavaleiros parece mais calorosa. Vemo-los a cruzar piadas e a preocuparem-se um com o outro: longe fica a picardia e queixume presentes em Attack of the Clones.



Ao contrário de McGregor (que parece estar-se completamente a borrifar), Hayden está visivelmente mais «solto»: ainda que alguns dos efeitos nefários do diálogo mais manhoso da história da Ficção-Cientifica continuem a assombrá-lo.

Anakin Skywalker: You are so... beautiful.
Padmé: It's only because I'm so in love.
Anakin Skywalker: No, it's because I'm so in love with you.
Padmé: So love has blinded you?

ISTO PODIA SER ESCRITO POR UM PUTO DO 5º ANO! Provavelmente esse foi o mindset com que o Lucas foi escrevendo o guião, mas POR AMOR DA SANTA! Mesmo depois do «Truly, deeply, love you…» este tipo de coisas ainda passa por toda a equipa de produção?

E alguém me sabe dizer porque é que a Natalie Portman está feia no filme quase todo? E porque é que R2-D2 de repente voa e acaba com dróides 3 vezes maiores do que ele? Dude, estas prequelas não fazem mesmo sentido…



O non-sense chega ao ponto do General Grievous ser, de um ponto vista criativo, a personagem mais interessante dos 3 filmes. De onde é que veio? Como é que ficou robô? Já matou Jedis? Foi assim que conseguiu os sabres de luz? Questões, questões, questões! Ainda bem que as coloco sem ninguém me «apontar»: só torna a personagem mais complexa e estimulante.

E por falar em estimulante: Revenge of the Sith apresenta-nos as mais espectaculares batalhas espaciais da história do Cinema. É impossível olhar para a cena de abertura e não ficar mesmerizado com a profundidade de campo e pela imensidão do que temos à frente.



Mas não quer isto dizer que os efeitos especiais são todos imaculados. Ainda faltavam 4 anos para James Cameron apresentar Avatar, por isso é impossível não reparar nas caras copiadas dos Clones e nas «cabeças falsas» de Palpatine (Ian McDiarmid).

A interpretação do actor escocês, que é inequivocamente a melhor da trilogia, está repleta de contradições: tão depressa está a conduzir um monólogo hipnótico, cheio de desenvolvimento e conteúdo pertinente, como a fazer caras de orgasmos.



Este tipo de «brincadeira» faz com que um filme, que logo de início promete muito, acabe por ser CONSTANTEMENTE anti climático. Um esgar, um soluço, um quase bom… O que é que o corrompe? Acima de tudo o guião.

Se fizermos uma análise às implausibilidades, tal como fizemos para Attack of the Clones, reparamos que elas ainda se alastram como um cancro por toda a película. É um campo minado, e onde quer que pisemos explodem naves espaciais.

Vem daí ANALisar as pistas!

Para além de um buraco, embaixo terás SPOILERS até aviso em contrário.

1ª PISTA - Anakin continua a não ter convicções próprias: no mesmo dia passa de pedir desculpas a Obi-Wan a concordar assassiná-lo! Pior: em menos de 10 minutos passa de indeciso a exterminador de Jedis! Ele muda toda a sua ideologia e filosofia de vida num ápice! Mata Mace Windu, sente-se culpado e o seu próximo curso de acção é assassinar miúdos!



2ª PISTA – A lógica para Palpatine se tornar Imperador é que os Jedis (os protectores da paz há mais de 1000 anos) se revoltaram contra ele para ficarem a dominar a galáxia, por isso ele tem de ser Imperador e dominar a galáxia para impedir os Jedis de dominar a galáxia. E o senado aplaude. Makes sense, right?

3ª PISTA – Como é que os Jedis tinham gravações do que se passou no escritório de Palpatine no seu próprio templo? Isso não implicaria que eles têm provas mais do que suficientes para o prender há muito tempo? E sendo assim para que é que queriam que Anakin o espiasse?

4ª PISTA – «Só um Sith lida com absolutos.» diz Obi-Wan no principio da sua batalha com Anakin. Sendo assim, isso faz de Yoda um Sith.



5ª PISTA – Ela morre de «coração partido»?! «Perdeu a vontade de viver»? Dude: ela acabou de dar à luz gémeos! A ironia de ter sido um robô a dar esta explicação super artificial é mais que muita. Lucas, das MÚLTIPLAS decisões estúpidas que tomaste, esta foi sem dúvida a mais ilógica.

FIM DE SPOILERS!

Eu não sou da Red Letter Media para ficar aqui uma hora e meia a recitar razões pelas quais este filme tem «buracos». O que eu sou é um entusiasta de Star Wars, disposto a colocar de lado esta falta de lógica em prol de momentos que resultem e me façam sentir vivo neste Universo!

Momentos de pura tensão, como quando Anakin e Padmé olham um para o outro a vários quilómetros de distância e se sente na expressão (!) de Hayden Christensen o confronto que vai dentro dele. Nada para além de duas personagens e silêncio recortado por uma música lúgubre. Não há batalhas, não há diálogo manhoso, nada... Apenas sentimentos.



E como esquecer a ascensão do vilão mais reconhecível da História do Cinema? O silêncio antes da sepultura… A primeira respiração… O funeral… São momentos lendários que ficarão para sempre subvalorizados por estarem numa conjuntura que obscurece a sua dimensão.

Mas uma coisa fica bem patente nos minutos finais de Revenge of the Sith: a vida continua. Talvez hoje tudo pareça mal, mas amanhã é um novo dia. «Os sóis» vão erguer-se novamente e uma «nova esperança» caminhará a passos largos no horizonte com esta música no fundo.



Caminhará em direcção a nós: confiante, sorridente e reluzente. Essa esperança é The Force Awakens.


Simon Says that this movie is…



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